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Patrocínio
Regras para captação
Chegou a época em que grande parte das empresas começa a definir que projetos culturais vão ser desenvolvidos ou apoiados durante o próximo ano. Há no mercado da cultura diversos profissionais que conhecem os caminhos para se obter patrocínio. Mas e quem está entrando agora? Ou pela primeira vez resolveu se arriscar a buscar apoio para aquilo que muitas vezes é um sonho antigo? Ou já tentou e não deu certo e ficou meio sem rumo? Pensando nesses casos, e atendendo a demandas encaminhadas por nossos assinantes, a revista Marketing Cultural Online resolveu compilar, entre tantos trabalhos já publicados sobre captação de recursos, algumas regras básicas que ninguém pode ignorar. Regras que abrangem a fase de prospecção das empresas que possam ser parceiras; planejamento para elaboração da proposta; pontos que devem ser observados e outros contidos no projeto; a importância do pós-venda e relatório de prestação de contas. O trabalho registra lembranças que o proponente não pode ignorar, independentemente do tipo de ação que encaminhará. Captação de Patrocínio - Regras que não se podem Esquecer está à disposição dos assinantes em arquivo Power Point.
Outras questões
A publicitária, pós-graduada em Marketing e professora de Marketing Cultural, Tatiana Apolinário, descreve em artigo que existem várias maneiras de se elaborar um projeto cultural. As duas principais são através de editoriais e aqueles em que o próprio proponente corre atrás de patrocínio, de divulgação, de sucesso. Para ela, os melhores projetos são aqueles que são independentes em tudo, que a própria instituição ou pessoa física planeja, cria, executa, vai atrás de patrocínio, pesquisa as empresas que tem o perfil adequado, realiza e faz a manutenção. Ela detalha aspectos importantes sobre justificativa, cronograma, orçamento e mostra exemplo de como pode ser uma Carta de Apresentação.
Marcas e cultura
A empresa Interbrand publicou seu ranking de 2010 com as 25 marcas brasileiras mais valiosas. O levantamento é liderado pelo Banco Itaú e, dos quatro primeiros colocados, três são instituições financeiras. Alguns visitam essa classificação pela primeira vez como a Positivo, especializada em informática, ou a Lopes, consultora de lançamentos imobiliários. Publicamos o perfil resumido de cada uma das 25 empresas selecionadas – feito pela própria Interbrand – mas acrescentamos um dado novo: inserimos numa tabela quais destas empresas costumam investir em cultura e quanto utilizaram em valores de patrocínio cultural no ano passado. Da lista, sete ainda não se arriscaram a utilizar a cultura como ferramenta de marketing.
Cultura participativa Gustavo Schor, gerente de Comunicação do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, afirma em artigo que chamar plataformas de comunicação de “redes sociais” é um pouco de exagero. Elas se prestam, segundo ele, a proporcionar o relacionamento entre pessoas. Mas não são redes sociais e, sim, espaços virtuais para interação daqueles que utilizam tais meios como forma de encontrar outros membros do mesmo serviço. E lembra uma reflexão do produtor Mark Washaw, que ironiza os aniquiladores das velhas mídias: “O comercial de 30”. A indústria fonográfica morreu. As crianças não assistem mais à televisão. As velhas mídias estão na UTI. Mas a verdade é que continuam produzindo música, continuam veiculando o comercial de 30”, um novo lote de programas de TV está prestes a estrear, muitos direcionados a adolescentes. As velhas mídias não morreram. Nossa relação com elas é que morreu. Estamos numa época de grandes transformações e todos nós temos três opções: temê-las, ignorá-las ou aceitá-las.”
Novos conceitos
O Instituto Cultural Banco Real agora se chama Santander Cultural, mudança que faz parte da integração entre os dois Bancos e não apenas isso: novos conceitos na gestão de projetos foram implantados pela direção do Instituto. Entre esses conceitos está o fomento a uma rede de parcerias que promova iniciativas multidisciplinares e contemporâneas, conectando pessoas, ideias e projetos. O Santander Cultural é o agente especializado de cultura do Banco na atuação do setor e tem diversas parcerias no cenário nacional. Atua nas áreas de artes visuais, cinema, música e reflexão, concebendo e desenvolvendo projetos com um modelo de gestão que aposta na interação entre agentes culturais, meio empresarial, instituições e comunidade, exercendo papel mediador na produção e difusão dos produtos culturais.
Olhar social Em entrevista à Marketing Cultural Online, Liliana Magalhães, superintendente do Santander Cultural, detalha sua ideia sobre o sistema de gestão aplicado nos projetos apoiados pelo Banco. Como já se verifica em outras empresas, o mecenato está perdendo força para algo mais abrangente do que só abater imposto. O modelo de Liliana tem um olhar de Terceiro Setor: “a gente resolveu que a área de cultura terá um espírito de desenvolvimento e os valores do Terceiro Setor são os primeiros do banco”, afirma. “Não tenho que ficar tendo essa visão de mecenato. Todo valor precisa ser identificado e vamos apoiar esse valor. Vamos atuar em cultura a partir da experiência artística e poder criar o desenvolvimento de uma cadeia criativa”.
Nas escolas De Van rumam para as escolas, armam o cenário e produzem uma ópera, como faziam antes as companhias mambembes, desmontam tudo e partem para outra. E é assim, de escola em escola, todas da rede pública do Estado de São Paulo, que Lívia Sabag e Cléia Mangueira realizam o “Ópera na Escola”, que tem como objetivo possibilitar a estudantes e à população de baixa renda acesso à musica erudita e ao gênero operístico. “A ópera, por sua natureza híbrida, que inclui música, teatro e artes visuais, é uma forma de arte que pode ser facilmente apreciada por qualquer tipo de público. No entanto, a maior parte da população brasileira não tem acesso a espetáculos eruditos, que geralmente são produzidos para uma elite de alto poder aquisitivo”, explica Livia, diretora Cênica do espetáculo. O projeto é apoiado pela Pirellli.
Em casa Uma centena de peças teatrais, que podem ser vistas em casa, em Full HD para quem pode e com legendas para quem não ouve ou vê do exterior, com planos de milhagens, trailers e informações detalhadas sobre as obras, onde é possível se comprar crédito a crédito e com 50% do valor de bilheteria, são vantagens que o Portal Cennarium oferece para quem aprecia teatro e não tem possibilidade de ver as montagens que gostaria. Num país em que apenas 5% da população tem acesso a essa arte, não deixa de ser atrativo saber que a iniciativa é genuinamente brasileira e já vista por pessoas de 91 países nas opções em português, inglês e espanhol. Em entrevista à Marketing Cultural Online, o diretor Roberto de Lima detalha como funciona o Portal e como são trabalhadas as ações com patrocinadores e parceiros.
Olho no fundo Em valores atualizados, o Fundo Nacional de Cultura trabalha neste ano com verba orçamentária que gira em torno de R$ 900 milhões, dos quais R$ 450 milhões foram disponibilizados pela União e R$ 250 milhões já gastos – o restante está contingenciado, à espera de ser liberado total ou parcialmente ainda neste exercício. Para a utilização da verba restante, todo o sistema do Ministério da Cultura está envolvido no planejamento para as ações do FNC que serão lançadas em setembro, quando da divulgação dos editais que abrangem todas as linguagens. Nesta matéria mostramos quanto foi utilizado pelo Fundo nos últimos três anos, em quê foi aplicado esse dinheiro em 2009 e publica a lista de quais projetos independentes foram beneficiados pelo FNC no ano passado e que consumiram apenas R$ 55 milhões.
Qual é a dúvida?
Seção responde a dúvidas jurídicas sobre leis de incentivos e outros temas relacionados ao mercado da cultura. Nessa edição aborda-se questões sobre se empresa jornalística pode ceder espaço para projeto cultural aprovado pelo MinC e utilizar lei de incentivo; se projeto que já captou 100% do valor aprovado pode ainda aceitar novos patrocinadores via lei Rouanet; se empresa que participa do Refis pode se beneficiar dos benefícios fiscais; e se o tamanho do público-alvo influencia na aprovação do projeto, entre outras questões.