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Qual é a dúvida?

Serviço prático

Seção esclarece leitores sobre dúvidas jurídicas em projetos culturais.






 

Edição 112

Examine e acesse, se for assinante, o conteúdo da revista em formato HTML ou PDF através do sumário abaixo:


 


  Patrocínio

Coisa fácil
Após a instituição da possibilidade se abater do Imposto de Renda devido 100% do valor aplicado em projetos culturais pelas Pessoas Jurídicas, se atingiu no ano passado o mais baixo nível de investimento privado em cultura via leis de incentivo federais desde 2003 em termos nominais. Se naquele ano as empresas tiraram do bolso pouco mais de R$ 71 milhões para apoiar projetos incentivados, essa quantia representou 16,6% do total de R$ 430 milhões captados durante o ano. Em 2009 os produtores conseguiram do mercado R$ 811 milhões, mas dessa quantia somente 9,35% foram de investimento privado (R$ 75 milhões). O Estado, via renúncia fiscal, entrou com 93,61% do montante, equivalente a R$ 735 milhões. Tabela mostra evolução ano a ano.

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Muito para poucos

O número de projetos encaminhados ao Ministério da Cultura para obter os benefícios da lei Rouanet apresentou no ano passado seu índice mais baixo desde 2004. Foram 8.857 ações que tentaram aprovação, mas somente 5.541 conseguiram. Dessas, menos da metade obteve patrocínio. Quando se compara o valor apoiado via Mecenato e Fundo Nacional de Cultura com o número de projetos que recebeu o benefício, verifica-se que é uma quantidade pequena de ações incentivadas frente ao volume de dinheiro envolvido. No ano de 2009, movimentou-se R$ 843.349.466,16 para dar suporte a somente 2.506 projetos culturais. Veja tabela com os números ano a ano.

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Nova filosofia
Em 2009, a Embratel patrocinou sete times de futebol do interior paulista, estampando em suas camisetas seu slogan “Faz um 21”. A Varilux adotou a estátua de Carlos Drummond de Andrade na Praia de Copacabana. A Kodak abraçou diversos mirantes ao longo da auto-estrada 101, que corta a costa da Califórnia, com deslumbrantes vistas para o mar. A cadeia 7-Eleven, tradicional rede americana de lojas de conveniência, fez uma parceria com a FOX para lançamento dos Simpsons. A vodka Absolut abraçou a causa ambiental, lançando um projeto que visava a destinar recursos para instituições que se dedicassem a frear o aquecimento global. Exemplos que o publicitário Felipe Nogueira cita para defender uma filosofia mais criativa para o marketing cultural. 

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Sem imposto
A pergunta que está na hora de discutir é: após 17 anos de incentivo fiscal, a economia da cultura brasileira ainda necessita dele para crescer? O MinC está propondo mudanças na legislação, mas as empresas que se dizem “cidadãs”, e que tão pouco tiram do bolso para aplicar em cultura, não estariam dispostas a patrocinar bons projetos simplesmente em troca de boa imagem institucional e não por dedução do imposto? A questão é ainda mais relevante levando-se em conta que leis como Rouanet ou Audiovisual tem agora a companhia da lei do incentivo ao esporte, que no ano passado autorizou a captação de R$ 432 milhões, mas somente R$ 77 milhões foram utilizados pelas empresas. Neste artigo, Fernando Trevisan faz um balanço dos valores que giram em torno de eventos importantes como Copa do Mundo e Olimpíada e seus reflexos também em nosso país. E tudo sem incentivo fiscal porque retorno positivo de imagem é tudo o que os patrocinadores desejam.

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Política


Pela culatra

Proposta do Governo Federal que tramita no Congresso Nacional, o chamado vale-cultura, é o tipo de ideia que vem recheada das mais nobres e boas intenções, mas que, na prática, pode gerar o famoso “tiro que sai pela culatra”. Essa é a opinião de Antoine Kolokathis, produtor de Campinas que há 10 anos produz grandes projetos culturais gratuitos. Para ele, se um trabalhador das regiões mais periféricas do nosso País tiver 50 reais mês para gastar em cultura, mas não tiver “formação educacional” para isso, ou não tiver o “equipamento” cultural adequado ao seu alcance, é bem provável que ele gaste esse recurso, por exemplo, consumindo revistas de pouco valor cultural em bancas de jornal. .

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  Pesquisas

Pobre consumo
A cultura brasileira é rica, diversificada, sofisticada, popular, mas os números de consumo dessa riqueza continuam sendo preocupantes para um País que deseja dar um salto de qualidade nesse começo de século. Pesquisa da Fecomércio-RJ, realizada em mil domicílios, em 70 cidades, incluindo nove regiões metropolitanas, com o objetivo de analisar os hábitos de lazer relacionados com cultura, mostra que ler um livro ou ir a teatro não é do hábito ou interesse de mais da metade dos brasileiros (57%). Por ela é possível saber que Por ele foi possível saber que, por ordem de preferência, o pesquisado gostaria primeiro de ir a um cinema, em segundo lugar a um show e ler livro é apenas a sexta escolha entre as sete possíveis. Veja a pesquisa completa nessa edição.

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Concorrência aos piratas
A compra de CD falsificado diminuiu no mercado brasileiro durante o ano de 2009, mas o que seria uma boa notícia apenas demonstra que a concorrência também prevalece nos mercados marginais. A expansão do MP3 no Brasil, via Ipods e celulares, e a maior disseminação do uso da Internet, que ampliou a prática de se “baixar” músicas pelo computador, especialmente entre o público consumidor de produtos piratas, contribuíram para que a compra de CDs falsificados, apesar de permanecer à frente no ranking, recuasse em relação a 2008. Em agosto do ano passado, 83% dos brasileiros consumidores de piratas haviam adquirido algum CD falsificado no período, percentual que passou a 78% em igual mês de 2009. A pesquisa também é da Fecomércio-RJ.

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  Mídia Digital

Sem limites
O mundo virtual deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação. O comércio eletrônico brasileiro chegou ao final do primeiro semestre aprovado por 86,11% das pessoas que usaram a internet para fazer compras e foi responsável por um faturamento de cerca de R$ 2,3 bilhões, acumulados apenas nos três primeiros meses de 2009. Dados que não podem ser desprezados por quem tem ingressos de show para vender, por exemplo, ou possui uma ONG que necessita aumentar suas receitas e pode muito bem criar produtos para oferecer via web. Neste artigo, o especialista em mídias digitais, Natan Sztamfater, explica quais são os fundamentos necessários para se ter sucesso no mundo do e-commerce, que para ele não tem limites.

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  Acadêmico


Não é caridade

A bacharel em produção cultural, Bruna Barcelos, dedicou-se a uma pesquisa acadêmica para demonstrar que marketing cultural e marketing social fazem parte de uma nova estratégia de marketing que as empresas ainda relutam em aplicar. Segundo ela, após a conclusão dos trabalhos “foi possível perceber que, mesmo com todas as vantagens que o marketing social, o marketing cultural e sua possível união podem oferecer a uma empresa, esses novos aliados ainda são pouco utilizados”. Segundo a Pesquisa de Ação Social das Empresas, publicada pelo IPEA e citada pela autora, isso se deve, principalmente, pela falta de informação e porque a iniciativa privada ainda está por ultrapassado pensamento que define o apoio a causa social como mera questão de caridade e que ela em nada acrescenta em aos seus lucros.

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  Leis

Qual é a dúvida?
Seção responde a dúvidas sobre legislação cultural e outras questões relacionadas a cultura. Nesta seção, leitor ficou em dúvida sobre se o Ministério da Cultura pode se apossar, de alguma forma, de seu projeto cultural; outro quer saber qual é a vantagem e desvantagens em ser um empreendedor cultura, sendo pessoa física, sendo sociedade sem fins lucrativos e pessoas jurídicas? E dúvidas sobre recolhimento de impostos em projetos culturais

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